terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.

Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.

[...]

Pudesse ser toda a vida,
Pensar todo o pensamento -
Então [...]


Fernando Pessoa

domingo, 20 de setembro de 2009



Sem delongas.

Barquinho furado

Ontem, numa tentativa frustrada de mudar um pouco os ares, fui na Calourada do IESB (minha faculdade). Tinha total consciência de como era uma festa open bar dessas. Muita música ruim e brega, muita gente, muita confusão pra pegar bebida, muita confusão pra andar com a bebida, briga de bombados, gralhas alcoolizadas e furtos. Sim, furtos. E adivinhem quem entrou na dança?
Exatamente, euzinha aqui. Perdi meu celular recém comprado e de quebra, uma maquiagem. Isso realmente revolta qualquer um, sair de casa no sábado foi como assinar um tratado de "vou me divertir hoje custe o que custar" e nunca, nunquinha, eu poderia imaginar voltar pra casa depois de uma cachorrada assim. Mas ok, creio que já chorei e resmunguei tudo o que me restava, por ora, vou simplesmente abstrair e tocar o barco pra frente.
O que me deixou também mais um tiquinho triste, foi ter perdido o Porão do rock. Apesar das bandas não serem nenhuma novidade e ser 0800 (isso significa um festival de vale tudo), eu animei e provavelmente sempre vou animar. Porém, contudo e todavia, hoje não pude deixar de ir e foi a melhor ideia do final de semana. Das três bandas que assisti, duas me deixaram muito animadas, Plebe e Paralamas. Nossa, os hits como "cuide bem do seu amor" e "meu erro", nunca vão deixar de ser hits e animar uma multidão. Já Plebe, tocou cabulusamente bem. Muito obrigada, domingo.
E parabéns para a minha vovozinha sagáz e moçoila que comemora hoje 77 aninhos de puro charme.

Aí vai uma das bandas de sábado, muito boa pedida, puta que pariu. (Falar palavrão nesse contexto pode). Recomendado pelo Bruno.


Besos.

sábado, 19 de setembro de 2009

Uma imagem....tanta verdade.


Ao som de: Mílanó - Sigur Ros

Entre quatro paredes

Nunca tive uma inspiração de verdade, daquelas magníficas que mata o dono de orgulho. Sempre quando preciso ter uma bela ideia, forço meu cérebro para pensar em algo incrível (e me matar de orgulho), mas falho e não me surpreendo. As melhores cartadas só aparecem quando menos esperamos. Minhas melhores (até então) inspirações, ocorreram e ocorrem sempre que possível, dentro daquele quarto e deitada naquela cama. Sinto no ar algo muito inspirador e cativante, me vejo de uma forma diferente. Aquele espelho me reconhece melhor do que eu mesma. Lá, eu sinto que posso, ao atravessar a porta, carrego comigo o entusiasmo necessário para seguir em frente e correr atrás dos meus sonhos. Porém, são raras as vezes que isso acontece, mas quando acontece, me marca da mesma forma que uma flecha acerta o alvo. Bem em cima e no meiozinho.
Agora, como assim? Preciso então estar sempre ali, sentada na beira da cama, te observando fazer as mesmas coisas de sempre, as mesmas coisas de cinco ou seis anos atrás, para poder sentir essa sensação? Preciso engolir todos os dias cinzas que aconteceram ali, debaixo daquele teto, tão aconchegante e ao mesmo tempo sombrio, com o intuito de esperar um olhar apaixonado? A resposta para essa imensa loucura e delírio, definitivamente é "não". Não, eu não preciso.
Tantas histórias, declarações, gargalhadas, lanches, abraços, conversas construtivas, conversas sem fundamento algum, todos esses momentos, registrados pelas quatro paredes, alicerçes da minha, da nossa memória. Há algo ali, que me prende como um laço de nó cego, olho e já me desmonto em lágrimas, medos, aflições e inseguranças. Como um ser humano pode se prender tanto assim? Como é possível, depositar tudo de si, se abrir sem vergonha de ser o que realmente é, para um cômodo? Pois foi por ele que me apaixonei, foi ali o local responsável por me fazer enxergar como uma menina inocente enxerga o seu primeiro suspiro.
Eu me gosto quando estou debaixo das cobertas empoeiradas. Me gosto quando ando descalça e depois sujo, implicantemente, os lençois. Eu sou assim, sou de fato o que gosto de ser ali dentro. Escrevo mil frases inúteis que depois são jogadas no lixo como algo inútil mesmo. Mas continuo escrevendo, há cinco ou seis anos, (se lembra?), eu faço isso. Continuo aparecendo sem avisar, não aviso por ter dificilmente conquistado uma intimidade tão grande, que me impede de alertar a minha presença. As portas já me conhecem e metaforicamente, se abrem ao me verem. Meu medo de casa grande no escuro e na madrugada, acabou. Minhas brigas familiares terrivelmente loucas, parecem mais ridículas do que nunca, quando sinto aquele clima gostoso de paz existente ali. Ali, ali, ali e aí.
Percebe? Me vejo feliz, descobri uma felicidade que faço questão até hoje, de guardá-la e preservá-la a sete chaves, mesmo que para isso eu tenha que sofrer e sentir meu peito se desmanchar a cada semana. Me enfiei num buraco criado por mim mesma. Um buraco de covardia, aonde só covardes se jogam sabendo da burrada que estão fazendo. Sempre quando termino um dia como eu terminei o de ontem, sexta-feira, ao amanhecer, tenho vergonha de me olhar. Tenho vergonha de dormir e relembrar minhas atitudes. Prefiro acreditar na existência de uma segunda "eu", uma detestável sósia, protagonista de um péssimo filme de mau gosto mexicano.
- Quem é ela? Quem sou eu?
O amor nos transforma em lindas e apaixonantes criaturas, mas também sempre que mal interpretado, ele é visto como uma droga viciante e fatal. Não tenho o direito de sentí-lo, respirá-lo...não possuo mais moral para falar: eu amo.
Não ainda. Não agora.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Luto.
A grande novidade desse meio tempo com certeza, foi o casamento do meu querido irmão!


Na foto, meus dois irmãos (Clarissa e o noivo, Guilherme) a noiva (Valessa) e meu padrinho.

Oi - nhe

Tentei fazer algumas alterações aqui no layout pra ver se me animava um tiquinho. Até o final do dia ou do final de semana, eu vejo se de fato me agradou.
O esquema é esse, fico mudando aqui e ali,inventando o que fazer pra ver se no final, me sinto ocupada. Sim, sim, ainda continuo desempregadinha. Continuo sem dinheirinho e falo isso tudo no diminutivo pra parecer fofinho e menos foda. E nossa, por falar em fodinha (mas nesse caso, hiper foda), do último post pra cá muita coisa aconteceu. Muitas águas correram por esse rio, meu caro. Tirei lições para a vida inteira, pelo menos. Arriscar nunca e em momento algum vai ser errado, deixar que essas arriscadas sempre se tornem em vão, sim.
Esse semestre eu pensei que muita coisa finalmente iria mudar, pensei do fundo meu coração, que a independência (em algumas coisas) e o bem estar, estariam fazendo parte da minha rotina. Apostei muitas fichas nisso, apostei de verdade. A gente sempre se dá conta com muito custo do quanto somos tolos. Meus amores, nada sai como planejamos. E então porque diabos não nos confortamos com isso, e vivemos um dia de cada vez? Putz, o caminho da felicidade já foi traçado há muito tempo, acho até que cada um de nós temos o mapa dessa porcaria, mas insistimos em arriscar a droga da sorte o tempo inteiro. E foi exatamente o que aconteceu....
Nada saiu como eu queria, tudo bem. Mas vai sair, de uma forma ou de outra, vai sair. Tenho fé.
Exemplo dessa "frustração" é estar na altura que estou no meu curso de Jornalismo e até hoje não ter colocado em prática todas as minhas vontades. Ouvir de gente que entende, o quanto ainda estou atrás. Tudo bem, nunca estamos verdadeiramente prontos para o mercado e, principalmente, para a vida. O que ninguém ainda se deu conta, é que estou procurando a minha primeira chance para poder me descobrir, até agora, não me vejo trabalhando nessa profissão. Não me vejo trabalhando em nada.
Crise dos 20 e poucos anos acaba quando?
Enquanto isso, me preencho com outros anseios.

Depois escrevo mais algumas novidades que guardei aqui. Tô correndo agora.
Beijinhos